Sustainability in the 1920s / Sustentabilidade nos anos 1920

It was not so easy photographing this house. At every instant my memories made my hands frozen. Perhaps because the residents did not like much to expose their intimacy. Maybe because they did not like a lot of fanfare, I don’t know. But perhaps because the problem was mine: my memories were about a recent past that had turned and was gone. I spent all my childhood there, always on Sunday afternoons, and at some times, on Wednesdays, where I had piano lessons.

The house was of my great-aunts, sisters of my grandfather, Helio Lodi. It’s located at Belo Horizonte/MG, Brazil, right next to the Lourdes Cathedral (opened in 1923). It was built by Arthur Bernardes (1875-1955) in the 1910s before being governor of State of Minas Gerais (1918-1922). When elected president of Brazil in 1922, had to move to Rio de Janeiro/RJ and decided to rent it. Luigi Lodi (Luiz Lodi naturalized Italian), my great grandfather, trader who had come to Belo Horizonte to participate in the founding of the new capital of Minas Gerais, at that time was looking for a larger house that could involve the whole family. His wife, my grandmother, wanted a house next to a church. And then they found the house built by the brazilian president Arthur Bernardes.

The couple had eight children who made the home base of what is constituted as a notable contribution to social life, especially in the field of music, education, medicine and industry. They filled the house with work and celebrations, always welcoming their friends and their families. Luigi Lodi insisted that his eight children had mastery of a musical instrument. In fact, piano lessons were taught right there in the house.

After some year, the sons (Euvaldo, Adelmo, Jurandyr and Helio) were married, and naturally moved the house. The daughters (Alda, Paulina, Yolanda and Helena) chose not to marry. With the death of Luigi and Annunciata Lodi, they became natural heirs of the house.

Besides music, study and work, there were another great feature. The garden, which occupied three quarters of the land, was not for the simple delight. Cultivating vegetables, fruits and plants for their own consumption. On Sundays, always had news about new plants, teas and recipes. They took it with extreme organization, discipline and distribution tasks, everything always well controlled by the eldest daughter, Alda Lodi. They had true love for the land and animals, perhaps inheritance from parents, Italians who worked in the fields.
This was the first example of sustainability I ever met. Not on farms, but within the city.

Não foi nada fácil fotografar esta casa. A todo instante as lembranças faziam que minhas mãos ficassem congeladas. Talvez porque as moradoras não gostavam muito de expor a sua intimidade. Talvez porque elas não gostavam de muita ostentação, não sei. Mas, talvez, porque o problema era meu: guardava lembranças de um passado recente que tinha se transformado e já não existia. Passei alí toda a minha infância, sempre aos domingos à tarde e, em algumas épocas, às quartas-feiras, onde tinha aulas de piano.

A casa era das minhas tias-avós, irmãs de meu avô, Hélio Lodi. Fica em Belo Horizonte/MG, bem próxima à Igreja de Lourdes (inaugurada em 1923). Foi construída por Arthur Bernardes (1875-1955) na década de 1910 antes de ser governador de Minas Gerais (1918-1922). Quando eleito presidente do Brasil em 1922, teve que se mudar para o Rio de Janeiro e resolveu alugá-la. Luigi Lodi (italiano naturalizado Luiz Lodi), meu bisavô, comerciante que havia chegado a Belo Horizonte para participar da fundação da nova capital de Minas Gerais, naquela época procurava uma casa maior que pudesse comportar toda a família. Sua esposa, minha bisavó Annunciata Mora Lodi, queria uma casa próxima a uma igreja. E foi então que encontraram a casa construída por Arthur Bernardes.

O casal tinha oito filhos que fizeram da casa a base daquilo que se constituiu como uma notável contribuição à vida social, especialmente no campo da música, da educação, da medicina e das indústrias. Encheram a casa de trabalho e celebrações, sempre acolhendo um número enorme de pessoas, até que a última filha se fosse, em 2008. Luigi Lodi fez questão que os oito filhos tivesse domínio de algum instrumento musical. De fato, aulas de piano eram dadas ali mesmo, na casa. Yolanda e Helena Lodi fizeram da música profissão. Ambas dedicaram suas vidas como professoras do Conservatório Mineiro de Música, mais tarde Escola de Música da UFMG. Paulina Lodi foi maestrina de grande talento. Mas, além do canto e da destreza ao piano, ela se dedicou a dirigir a área contábil das empresas da família junto ao irmão Hélio. Alda Lodi, que sabia bem do piano, foi pioneira no ensino de didática da matemática, tendo sido enviada pelo Governo do Estado para buscar novas diretrizes da educação nos Estados Unidos em 1928, assumindo mais tarde e durante grande parte da sua vida a direção do Instituto de Educação de Minas Gerais. Três filhos homens desenvolveram-se no violino e o caçula, Hélio, no acordeon. Hélio Lodi foi um grande empreendedor e o mais jovem industrial de seu tempo. Advogado, fundou diversas empresas e, como um sol, teve sempre pessoas à sua volta propiciando trabalho a muita gente. Adelmo Lodi, médico, participou dos primórdios da Faculdade de Medicina da UFMG como professor e diretor e participou da Primeira Guerra Mundial, em Paris, como médico. Euvaldo Lodi foi deputado federal, idealizador e fundador do Sistema SESI-SENAI no tempo de Getúlio Vargas, um homem de visão quanto à economia no Brasil. Jurandyr Lodi era chefe do Departamento do Ensino Superior do Ministério da Educação, homem dedicado ao rumo da educação no país.

Os filhos (Euvaldo, Adelmo, Jurandyr e Hélio) se casaram e, naturalmente, mudaram-se da casa. As filhas (Alda, Paulina, Yolanda e Helena) preferiram não se casar. Com o falecimento de Luigi e Annunciata Lodi, elas se tornaram herdeiras naturais da casa.

Além da música, do estudo e do trabalho, havia na casa uma outra grande paixão. O jardim, que ocupava três quartos do terreno, não servia para o simples deleite. Cultivavam verduras, frutas e plantas para consumo próprio. Aos domingos, sempre tinham novidades sobre novas plantas, chás e receitas. Levavam isso com extrema organização, disciplina e distribuição de tarefas, tudo sempre bem comandado pela filha mais velha, Alda Lodi. Tinham verdadeiro amor à terra e aos animais, talvez herança dos pais, italianos que trabalharam na lavoura.

Esse foi o primeiro exemplo de sustentabilidade que conheci. Não em fazendas, mas dentro da cidade.

Thanks to my Aunt Maria Ines Lodi! By asking some information about the house, she wrote a real book. Thank you!

Agradeço à minha tia Maria Inês Lodi. Ao pedir algumas informações sobre a casa, ela escreveu um verdadeiro livro. Muito obrigado!

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All rights reserved. © Gustavo Xavier
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2 thoughts on “Sustainability in the 1920s / Sustentabilidade nos anos 1920

  1. Ola! Sou neto do Jurandyr, primo da Celia e Luiz.
    Obrigado pelas lembrancas, eu tambem passei varios veroes felizes na ” casa das tias” quando crianca. A ultima vez que fui la foi quando, em meu primeiro emprego como engenheiro, fui encarregado de projetar o Citybank na Savassi. Eu dei um pulo la pra mostrar pra tia Alda o meu projeto, e acho que ela ficou orgulhosa do sobrinho- neto. Eu mudei pros EUA 20 anos atras, entao este artigo me trouxe muita emocao.
    Um abraco, fernando

    • Olá, Fernando! Por algum motivo, o seu comentário caiu na caixa de spam. É a tecnologia que as vezes nos prega uma peça.
      Fiquei muito feliz em receber o seu comentário. Todos nós temos belas lembranças da “casa das tias”. O tempo passou, mas isso ficou marcado em nós todos. Tenho ainda contato com a Célia, o Luiz e, mais recentemente, com o seu irmão João. Me lembro que em duas ocasiões estivemos na casa de sua mãe, Lúcia, no Rio. Temos ótimas lembranças do Rio também. Seria fantásticos mantermos contato. O meu email é gustavo@gustavoxavier.com.br .

      Um grande abraço, Gustavo Lodi Xavier.

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