Crepusculares, uma nova dimensão sobre a arquitetura latina

Tenho a felicidade de apresentar a vocês a nova série Crepusculares através da qual reinvento a luz sobre grandes edifícios, ícones da arquitetura latina, propondo uma nova e particular dimensão à eles. Luzes que talvez nunca realmente possam existir, mas que por um momento vaguearam em meu pensamento.

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SESC Pompéia, Lina Bo Bardi, São Paulo/SP

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SESC Pompéia, Lina Bo Bardi, São Paulo/SP

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Centro de Innovación UC Anacleto Angelini, Alejandro Aravena, Santiago, Chile

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Centro de Innovación UC Anacleto Angelini, Alejandro Aravena, Santiago, Chile

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Costanera Center, César Pelli, Santiago, Chile

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Titanium La Portada, Abraham Senerman e Andrees Weil, Santiago, Chile

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Parc Zodíaco, Gustavo Penna, Belo Horizonte/MG

Crepusculares é representada e comercializada pela Orlando Lemos Galeria com as seguintes características:

Impressão Jato de Tinta sobre Papel Canson Platine Fibre Rag 310gsm

Retangulares:
90×120 cm – Edição de 05
112×150 cm – Edição de 05

Quadradas:
90×90 cm – Edição de 05
110×110 cm – Edição de 05

Crepusculares estará disponível para visitação na Orlando Lemos Galeria do dia 26 de outubro a 12 de novembro de 2015. Visite-nos! Para mais informações, entre em contato: (31) 99106-9780.

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Parte da série foi exposta durante o DMais Design BH 2015 na Idelli Ambientes BH do dia 19 de setembro a 26 de setembro de 2015.

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All rights reserved. © Gustavo Xavier
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Gambiólogos 2.0, OI Futuro, projeto da Vazio S/A

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Gambiólogos 2.0 é uma exposição no Centro Cultural Oi Futuro que tem sua proposta curatorial articulada em três temas sobre a “Gambiologia”: a improvisação na arte eletrônica, a ideia de colecionismo por meio da acumulação, e a aceitação (ou não) da influência da cultura popular e do artesanato no meio das artes plásticas. Com curadoria e concepção de Fred Paulino, a exposição inclui obras de Arthur Bispo do Rosário, Marepe, Cao Guimarães, Chelpa Ferro, Farnese de Andrade, O Grivo, Guto Lacaz e Fred Paulino, além de outros participantes do Brasil e do Japão, EUA, Inglaterra e França.

O projeto da expografia, do Vazio S/A, busca não compartimentar as salas da exposição. Evitando a ideia de separar as obras em ambientes estanques – solução comum em exposições de muitas obras e pouco espaço –, toda a mostra tem seus objetos justapostos num espaço contínuo. As telas metálicas que servem de suporte para as obras não as separam por salas, assim criando uma sobreposição visual de telas e obras que confirma o conceito de acumulação e colagem da mostra. (Fonte: Vazio S/A)

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Expografia: Vazio S/A (Carlos M Teixeira)

Curadoria: Fred Paulino

ARTISTAS: Alexandre Almeida (PE), Anthony Goh e Neil Mendoza (Reino Unido), Artur Bispo do Rosário (RJ)*, Aruan Mattos e Flávia Regaldo (MG), Cao Guimarães (MG), Chelpa Ferro (RJ), Dirceu Maués (DF), Farnese de Andrade (MG / RJ), *Fernando Rabelo (MG / BA), Gambiologia – Fred Paulino, Ganso e Lucas Mafra (MG), Giselle Beiguelman (SP), Guto Lacaz (SP), Joseph Morris (EUA), Leandro Aragão (MG), Lucas Bambozzi (SP), Lúcio Bittencourt (SP), Marepe (BA), Mariana Manhães (RJ), Mark Porter (EUA), Mauro Alvim (MG), O Grivo (MG), Paulo Nenflidio (RJ), Paulo Waisberg (MG), Sara Ramo (MG / Espanha), Ujino (Japão), Zaven Paré (RJ / França).

Localização / Location: Oi Futuro, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil
Ano / Year: 2014

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Entrevista para o ArchDaily / Interview for ArchDaily

Figurar entre grandes Fotógrafos de Arquitetura com atuação internacional em um dos sites mais respeitados e visitados no mundo, é motivo de muita satisfação. Há poucas dias tive a felicidade de ser incluído na lista dos fotógrafos de arquitetura selecionados pelo ArchDaily (ArchDaily BrasilArchDaily Mexico e o Plataforma Arquitectura). Além disso, os sites de arquitetura mais visitados do mundo publicaram uma pequena entrevista que concedi à eles. Confira aqui a entrevista ao ArchDaily Mexico.

Be part of a list of internacional great Architectural Photographers in the most respected and visited sites in the world, is the source of great satisfaction. A few days ago, I has been included on the list of selected architectural photographers by ArchDaily (ArchDaily Brasil, ArchDaily Mexico and Plataforma Arquitectura). They also published an interview I gave to them. Check the interview for ArchDaily Mexico.

Abaixo, a entrevista em português e em inglês:
Below, the same interview in portuguese and english:

 

ArchDaily:
Quando e como começou a fotografar arquitetura?
When and how did you start photographing architecture?

Quando eu tinha  apenas 14 anos, durante uma viagem com minha família ao interior do meu país, estava tentando fotografar a fachada de uma grandiosa igreja barroca construída no século 18. Depois de algum tempo tentando achar a melhor posição, e, com um equipamento completamente rudimentar e inapropriado, ouvi do meu irmão mais velho: “Você nunca vai conseguir fazer isso.” Aquela frase realmente me tocou e, de certa forma, mudou a minha vida. De repente, eu já estava comprando livros de arquitetura somente para analisar qual seria a melhor maneira de se fotografar arquitetura. E não parei mais.

When I was only 14, during a trip with my family to a small historic town in my country, I was trying to photograph the facade of a magnificent baroque church built in the 18th century. After some time trying to find the best position using a completely crude and inappropriate equipament, I heard my elderly brother say: “You’ll never be able to do that. Forget it.” Those sentences really touched me, and somehow changed my life. Suddenly, I was already buying architecture books only to analyze what would be the best way to represent architecture. And I haven’t stopped since then.

 

ArchDaily:
Você é arquiteto?
Are you an architect?

Me graduei em Arquitetura e Urbanismo em 1998 na PUC Minas, Belo Horizonte/MG, Brasil, quando já estava fotografando para grandes empresas do setor de mineração. Não sei se aprendi a fotografar arquitetura durante o meu curso. Talvez a facilidade que tinha em avaliar formas e proporções tenha surgido bem antes. Mas, talvez, se não tivesse tido formação em Arquitetura e Urbanismo, não teria me tornado fotógrafo de arquitetura.

I graduated in Architecture and Urban Planning in 1998 at PUC Minas, Brazil. By that time, I was already shooting for large companies in the mining sector. I don’t know exactly if I learned to shoot architecture during my course. Perhaps I had already been developing the ability to analyse shapes and proportions before my graduation. But maybe if I had not been in Architecture and Urbanism University, would not have become am architectural photographer.

 

ArchDaily:
Por que você gosta de fotografar arquitetura?
Why do you like to photograph architecture?

Gosto de ver as pessoas utilizando a arquitetura. Gosto de observar as pessoas modificando o seu espaço. E gosto de registrar isso. O mais interessante é que os edifícios tem vida, como pessoas. Cada edifício tem uma determinada vocação, um jeito de ser. Há pouco tempo atrás fotografei duas casas que se situam em terrenos vizinhos, igualmente iluminados, igualmente orientados, com a mesma bela vista para um vale. As duas casas tem uma maneira completamente diferente de ser apesar de estarem situadas praticamente no mesmo lugar. E isso proporciona, também, diferentes sensações. Gosto de registrar estas sensações.

I like to see people using the architecture. I like to watch people modifying their space. And I like to shoot that. The most interesting is that the buildings have a life of their own, as people. Each building has a specific vocation, a way of being. A little while ago I photographed two houses which are situated in neighboring lands, equaly lightnetd and with the same orientation, having the same beautiful view of a valley. Each of the houses have a completely different way of being despite they are sitatuated practically on the same place. And it also provided different sensations. I like to record these sensations.

 

ArchDaily:
Algum arquiteto favorito?
Favorite architect?

Frank Lloyd Wright, Mies van der Rohe, Zaha Hadid e o arquiteto brasileiro Marcio Kogan.

 Frank Lloyd Wright, Mies van der Rohe, Zaha Hadid and the brazilian architect Marcio Kogan.

 

ArchDaily:
Algum edifício favorito?
Favorite building?

Acho que é impossível citar apenas um edifício favorito. Acho que o edifício preferido é aquele que apresenta boa arquitetura, apresenta respeito ao usuário, e que está sendo fotografado no momento.

It’s impossible to name one favorite building. I think the favorite building is the one that has good architecture, shows respect to the user, and is being photographed at the moment.

 

ArchDaily:
Como você trabalha?
How do you work?

Eu gosto muito de trabalhar sozinho, durante à sessão fotográfica até o tratamento de imagens. Gosto de tirar as minhas próprias conclusões em relação ao projeto durante a sessão fotográfica. Mas, sendo o arquiteto o meu cliente, gosto de conversar com ele sobre o projeto. Ouvir sobre a sua intenção e os seus desafios.

I love working alone during the photo shooting until image processing. I like to draw my own conclusions about the project during the shooting. But, having an architect as my client, I like to talk to him about the project and hear about its intention and its challenges.

 

ArchDaily:
Que tipo de equipamento e software você usa?
What kind of equipment and software do you use?

Hoje o mundo pede muita velocidade. Tenho que fotografar o projeto enquanto há inúmeras publicações aguardando estas fotografias. Assim, utilizo principalmente câmeras digitais de diversas marcas e vários softwares para tratamento de imagem. Seria ótimo utilizar câmeras 4×5 com um belo filme, mas isso se tornou inviável.

The world today calls for a lot of speed. While I am shooting a project, there are numerous publications awaiting for these photos. So, I use mainly digital cameras of different brands and various softwares for image processing. It would be great to use 4×5 cameras with a film inside, but it has became impossible.

Yukio Futagawa, mestre da fotografia de arquitetura, morre aos 80 anos

Um dos maiores expoentes da fotografia de arquitetura internacional, o japonês Yukio Futagawa, infelizmente falaceu na última segunda-feira, dia 11 de março de 2013, aos 80 anos em Tóquio.

Futagawa, que sempre recusou ser chamado de fotógrafo sugerindo que seu trabalho fosse exibido em museus e galerias, começou a fotografar ainda estudante. Ficou mundialmente reconhecido após fotografar as obras do arquiteto americano Frank Lloyd Wright (1867-1959) e de outros tantos importantes nomes da arquitetura mundial. Através da sua mais famosa publicação, a GA (Global Architecture), Futagawa contribuiu para a arquitetura mundial apresentando de forma singular os grandes arquitetos e edifícios ao redor do mundo.

Obrigado, Futagawa!

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One of the greatest internacional exponents of  Architectural Photography, the japanese Yukio Futagawa unfortunately passed away last monday (March 11, 2013) at age 80 in Tokyo.

Futagawa, who always refused to be called a photographer suggesting that his work had to be exhibited in museums and galleries, began photographing when he was a student. He was recognized worldwide after photographing the work of american architect Frank Lloyd Wright (1867-1959) and many other important names in architecture world. Through his most famous publication, GA (Global Architecture), Futagawa contributed to world architecture uniquely presenting the great architects and buildings around the world.

Thank you, Futagawa!

Sustainable House / Casa Sustentável

Casabranca House, designed by architect Adriano Mattos, located in Brumadinho/MG, Minas Gerais, Brazil (Gustavo Xavier)

I have true admiration for projects that are beyond the traditional building techniques.

This beautiful studio, designed by brazilian architect Adriano Mattos is located in a few miles from Belo Horizonte / MG, one of the most bigger cities in Brazil. It was built (or assembled) by using used or recycled  materials and structures, such as bus parts and plywood normally used in concrete forms.

According to Adriano Mattos “…the research and use of materials in construction elements sought to seek low-cost, clean and quick assembly, characterized by unusual application of ‘other ‘unusual materials in building houses: for example, cables hoe, iron components dismantling of old buses, lampposts electrification double T precast concrete, plywood boards (the Gethalfilm) usually used as a form for concrete apparent, graters artisanal produced by artisans cooperative with reuse ‘can’, plots of bamboo mat, etc.. “

The dense forest that surrounds it gave me a soft and filtered light almost constant throughout the day.

You can order fine-art prints by clicking here.

Casabranca House, designed by architect Adriano Mattos, located in Brumadinho/MG, Minas Gerais, Brazil (Gustavo Xavier) Casabranca House, designed by architect Adriano Mattos, located in Brumadinho/MG, Minas Gerais, Brazil (Gustavo Xavier)

Casabranca House, designed by architect Adriano Mattos, located in Brumadinho/MG, Minas Gerais, Brazil (Gustavo Xavier)

Tenho verdadeira admiração pelos projetos que fogem das técnicas tradicionais de construção. Este belo studio, projetado pelo arquiteto mineiro Adriano Mattos, localizado em uma região a poucos quilômetros de Belo Horizonte/MG, foi construído (ou montado) com a utilização de materiais e estruturas usadas ou recicladas, tais como peças de ônibus e chapas de compensado normalmente utilizadas em formas para concreto.

Segundo Adriano Mattos, “A pesquisa e uso de materiais na construção procurou buscar elementos de baixo custo, montagem limpa e rápida, caracterizando-se pela aplicação inusitada de ‘outros’ materiais não usuais na construção de casas: por exemplo, cabos de enxada, componentes de ferro velho de desmanche de ônibus urbanos, postes de eletrificação duplo T  pré-moldados de concreto, placas de compensado (da Gethalfilm) utilizadas normalmente como forma para concreto aparente, raladores artesanais produzidos por cooperativa de artesãos com reutilização de ‘lata’, tramas de esteira de taquara, etc.”

Casabranca House, designed by architect Adriano Mattos, located in Brumadinho/MG, Minas Gerais, Brazil (Gustavo Xavier)

A densa floresta que o circunda me proporcionou uma luz suave, filtrada, quase que constante ao longo do dia.

Você pode encomendar impressões de qualidade clicando aqui.

Casabranca House, designed by architect Adriano Mattos, located in Brumadinho/MG, Minas Gerais, Brazil (Gustavo Xavier)

Adriano Mattos is an architect and Professor in the School of Architecture and Urbanism of UFMG, Brazil.
Adriano Mattos é  arquiteto e Professor de projetos na Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFMG.

All rights reserved. © Gustavo Xavier
Direitos autorais reservados. © Gustavo Xavier

Brasília Palace Hotel

Every time I go to Brasilia, I try to stay in the historic and, why not, mysterious Brasilia Palace Hotel. It’s actually a return to a past time.

Designed by Oscar Niemeyer, the most famous brazilian architect, and founded in May 1958, was the first definitive building completed in the new federal capital. After his inauguration and during the construction of the capital served as the main host for the delegations who came to know Brasilia. From 1960, when Brasilia was finally opened, the hotel worked for almost 20 years as a meeting of officials, artists, and city residents.

But the history of the hotel guard some facts even more striking: on Sunday August 15, 1978, the Brasilia Palace dawned in flames. The fire had started around 5 o’clock in the meeting room, located on the 3rd. floor. Some people say that the existence of a single fire escape located in the central part of the long building made several guest stay blocked by fire and had to be removed by the windows. Luckily, there were no casualties.

For several years the hotel remained closed in ruins. Finally, in September 2006, after undergoing a complete revitalization of the office under the supervision of Oscar Niemeyer, the hotel was reopened. To solve the deficiency in access to and exit from the building two sets of stairs and elevators were built attached to the front facade.

Toda vez que vou a Brasília, tento me hospedar no histórico e, porque não, misterioso Brasília Palace Hotel. É simplesmente uma volta ao tempo.

Projetado por Oscar Niemeyer e fundado em maio de 1958, foi a primeira obra definitiva concluída na nova capital federal. Após a sua inauguração e durante o período da construção da cidade, funcionou como a principal hospedagem para as comitivas que vinham conhecer Brasília. A partir de 1960, quando Brasília foi finalmente inaugurada, o hotel funcionou por quase 20 anos como ponto de encontro de autoridades, artistas e moradores da cidade.

Mas a história do hotel guarda alguns fatos ainda mais marcantes: no domingo, dia 15 de agosto de 1978, o Brasília Palace amanhaceu em chamas. O fogo teria começado por volta das 5 horas na sala de reuniões, localizada no 3o. andar. Contam que a existência de uma única escada de incêndio localizada na parte central do longo edifício fez com que diversos hóspedes ficassem bloqueados pelo fogo e tivessem que ser retirados pelas janelas. Por sorte, não houve vítimas.

Por diversos anos o hotel permaneceu fechado, em ruínas. Finalmente, em setembro de 2006, depois de passar por uma completa revitalização sob a supervisão do escritório de Oscar Niemeyer, o Brasília Palace Hotel foi reaberto. Para solucionar a deficiência no acesso e saída do edifício, dois conjuntos de escadas e elevadores foram construídos anexados à fachada frontal.

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Cabeçário, Ronaldo Mafra at SESC Palladium

In the first post of the year, I’d like to show you the photos of the intriguing series “Cabeçário” created by Ronaldo Mafra to the SESC Palladium in Belo Horizonte/MG, Brazil. They are seven large sculptures fixed at the newly opened space, designed by brazilian architect Angela Roldao. They represent the seven arts: Music, Dance, Painting, Sculpture, Theatre, Literature and Cinema.

No primeiro post do ano, apresento a vocês as fotografias da instigante série “Cabeçário” criada por Ronaldo Mafra para o SESC Palladium em Belo Horizonte/MG. São sete grandes esculturas instaladas no recém-inaugurado espaço, projeto da arquiteta Ângela Roldão, representando as sete artes: Música, Dança, Pintura, Escultura, Teatro, Literatura e Cinema.

Born in Belo Horizonte, in 1954, Ronaldo Mafra is an entrepreneur and designer for 37 years, working in the art, architecture and mainly in the lighting industry.

Nascido em Belo Horizonte, em 1954, Ronaldo Mafra é empresário e designer há 37 anos, no setor de arte, arquitetura e principalmente na indústria de aparelhos de iluminação arquitetural.

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Sustainability in the 1920s / Sustentabilidade nos anos 1920

It was not so easy photographing this house. At every instant my memories made my hands frozen. Perhaps because the residents did not like much to expose their intimacy. Maybe because they did not like a lot of fanfare, I don’t know. But perhaps because the problem was mine: my memories were about a recent past that had turned and was gone. I spent all my childhood there, always on Sunday afternoons, and at some times, on Wednesdays, where I had piano lessons.

The house was of my great-aunts, sisters of my grandfather, Helio Lodi. It’s located at Belo Horizonte/MG, Brazil, right next to the Lourdes Cathedral (opened in 1923). It was built by Arthur Bernardes (1875-1955) in the 1910s before being governor of State of Minas Gerais (1918-1922). When elected president of Brazil in 1922, had to move to Rio de Janeiro/RJ and decided to rent it. Luigi Lodi (Luiz Lodi naturalized Italian), my great grandfather, trader who had come to Belo Horizonte to participate in the founding of the new capital of Minas Gerais, at that time was looking for a larger house that could involve the whole family. His wife, my grandmother, wanted a house next to a church. And then they found the house built by the brazilian president Arthur Bernardes.

The couple had eight children who made the home base of what is constituted as a notable contribution to social life, especially in the field of music, education, medicine and industry. They filled the house with work and celebrations, always welcoming their friends and their families. Luigi Lodi insisted that his eight children had mastery of a musical instrument. In fact, piano lessons were taught right there in the house.

After some year, the sons (Euvaldo, Adelmo, Jurandyr and Helio) were married, and naturally moved the house. The daughters (Alda, Paulina, Yolanda and Helena) chose not to marry. With the death of Luigi and Annunciata Lodi, they became natural heirs of the house.

Besides music, study and work, there were another great feature. The garden, which occupied three quarters of the land, was not for the simple delight. Cultivating vegetables, fruits and plants for their own consumption. On Sundays, always had news about new plants, teas and recipes. They took it with extreme organization, discipline and distribution tasks, everything always well controlled by the eldest daughter, Alda Lodi. They had true love for the land and animals, perhaps inheritance from parents, Italians who worked in the fields.
This was the first example of sustainability I ever met. Not on farms, but within the city.

Não foi nada fácil fotografar esta casa. A todo instante as lembranças faziam que minhas mãos ficassem congeladas. Talvez porque as moradoras não gostavam muito de expor a sua intimidade. Talvez porque elas não gostavam de muita ostentação, não sei. Mas, talvez, porque o problema era meu: guardava lembranças de um passado recente que tinha se transformado e já não existia. Passei alí toda a minha infância, sempre aos domingos à tarde e, em algumas épocas, às quartas-feiras, onde tinha aulas de piano.

A casa era das minhas tias-avós, irmãs de meu avô, Hélio Lodi. Fica em Belo Horizonte/MG, bem próxima à Igreja de Lourdes (inaugurada em 1923). Foi construída por Arthur Bernardes (1875-1955) na década de 1910 antes de ser governador de Minas Gerais (1918-1922). Quando eleito presidente do Brasil em 1922, teve que se mudar para o Rio de Janeiro e resolveu alugá-la. Luigi Lodi (italiano naturalizado Luiz Lodi), meu bisavô, comerciante que havia chegado a Belo Horizonte para participar da fundação da nova capital de Minas Gerais, naquela época procurava uma casa maior que pudesse comportar toda a família. Sua esposa, minha bisavó Annunciata Mora Lodi, queria uma casa próxima a uma igreja. E foi então que encontraram a casa construída por Arthur Bernardes.

O casal tinha oito filhos que fizeram da casa a base daquilo que se constituiu como uma notável contribuição à vida social, especialmente no campo da música, da educação, da medicina e das indústrias. Encheram a casa de trabalho e celebrações, sempre acolhendo um número enorme de pessoas, até que a última filha se fosse, em 2008. Luigi Lodi fez questão que os oito filhos tivesse domínio de algum instrumento musical. De fato, aulas de piano eram dadas ali mesmo, na casa. Yolanda e Helena Lodi fizeram da música profissão. Ambas dedicaram suas vidas como professoras do Conservatório Mineiro de Música, mais tarde Escola de Música da UFMG. Paulina Lodi foi maestrina de grande talento. Mas, além do canto e da destreza ao piano, ela se dedicou a dirigir a área contábil das empresas da família junto ao irmão Hélio. Alda Lodi, que sabia bem do piano, foi pioneira no ensino de didática da matemática, tendo sido enviada pelo Governo do Estado para buscar novas diretrizes da educação nos Estados Unidos em 1928, assumindo mais tarde e durante grande parte da sua vida a direção do Instituto de Educação de Minas Gerais. Três filhos homens desenvolveram-se no violino e o caçula, Hélio, no acordeon. Hélio Lodi foi um grande empreendedor e o mais jovem industrial de seu tempo. Advogado, fundou diversas empresas e, como um sol, teve sempre pessoas à sua volta propiciando trabalho a muita gente. Adelmo Lodi, médico, participou dos primórdios da Faculdade de Medicina da UFMG como professor e diretor e participou da Primeira Guerra Mundial, em Paris, como médico. Euvaldo Lodi foi deputado federal, idealizador e fundador do Sistema SESI-SENAI no tempo de Getúlio Vargas, um homem de visão quanto à economia no Brasil. Jurandyr Lodi era chefe do Departamento do Ensino Superior do Ministério da Educação, homem dedicado ao rumo da educação no país.

Os filhos (Euvaldo, Adelmo, Jurandyr e Hélio) se casaram e, naturalmente, mudaram-se da casa. As filhas (Alda, Paulina, Yolanda e Helena) preferiram não se casar. Com o falecimento de Luigi e Annunciata Lodi, elas se tornaram herdeiras naturais da casa.

Além da música, do estudo e do trabalho, havia na casa uma outra grande paixão. O jardim, que ocupava três quartos do terreno, não servia para o simples deleite. Cultivavam verduras, frutas e plantas para consumo próprio. Aos domingos, sempre tinham novidades sobre novas plantas, chás e receitas. Levavam isso com extrema organização, disciplina e distribuição de tarefas, tudo sempre bem comandado pela filha mais velha, Alda Lodi. Tinham verdadeiro amor à terra e aos animais, talvez herança dos pais, italianos que trabalharam na lavoura.

Esse foi o primeiro exemplo de sustentabilidade que conheci. Não em fazendas, mas dentro da cidade.

Thanks to my Aunt Maria Ines Lodi! By asking some information about the house, she wrote a real book. Thank you!

Agradeço à minha tia Maria Inês Lodi. Ao pedir algumas informações sobre a casa, ela escreveu um verdadeiro livro. Muito obrigado!

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